quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Com a cara no picadeiro


Você prometeu que estaria no outro trapézio
quando eu soltasse o meu, não prometeu?
Por isso eu balançava de olhos fechados. Sem medo.
Por isso eu ficava de cabeça pra baixo nesse pedaço de madeira
suspenso por duas cordas.
Você garantiu que me seguraria
pelos dois punhos e me levaria para o outro lado.
Que haveria alguém no fim do meu salto.
Você juntou os pés e jurou que não me deixaria
cair nesse número sem rede. Com a cara no picadeiro.
Foi por acreditar em você que gasto mais uma das minhas vidas.
Morro mais uma vez pela sua ausência.

[Eduardo Baszczyn]

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Deixa pra outro dia...

- Garçon, uma dose de amnésia e duas de desapego por favor.
- Vai uma de amor também?
- Não, não. Deixa pra outro dia

[Caio F. Abreu]

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Dói

"Me dói ter passado tanto tempo atenta a ele — quando ele nunca ficou atento a mim. E eu passei tanta coisa dura. "

[Caio F. Abreu]

Sobre o cansaço...




Hoje eu acordei mais cedo com uma vontade tão alucinada de me fechar pra tudo que me faz mal, me machuca.

Cansei de ser a submissa, que sempre perdoa tudo, sempre aceita tudo, que deixa o orgulho de lado e continua insistindo em algo que já morreu há tempos, e só eu não vi.

Cansei de chorar á toa, por pessoas que sinceramente não estão nem um pouco preocupados se o que falam me fere, e depois agem como se nada tivesse acontecido, ou pior, como se a culpa fosse inteiramente minha.

Amar é bom, mas quando não se recebe nada em troca se torna destrutivo. E ainda mais amar alguém mais do que se pode, e se torna loucura quando esse amor te corresponde de algum jeito, e depois finge que nada aconteceu.

Não consigo mais ser a mesma de ontem com os outros, agora estou seca, tanto faz se querem falar comigo, ou se não veem a hora de estarem bem longe de mim, tanto faz, problema deles, não me afeta mais.

Jurei pra mim que iria ser fortem, e eu sou. Não chorar, não amar, não me entregar, não, nada mais, por ninguém. Ainda mais por quem não merece.

Monstro ?

Não, apenas mais uma pessoa que teve o coração dilacerado, arrancado e amassado. No mundo o verdadeiro e o falso se confundem, e no meu esta tudo tão confuso. Agora meu peito é vazio, é tudo tão surreal, superficial.

[Caio F. abreu]

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Sobre metades...





Porque, há muito, eu erro a mão. A dose.
Esqueço a receita do equilíbrio. O quanto uso das partes que brigam dentro de mim.

Há muito, eu me confundo.
Porque metade não tem medo e levanta os braços, na descida da montanha-russa. Olhos abertos, enquanto outra acha melhor enfrentar a queda com as mãos na barra. Segurando forte. Espremendo os dois olhos, fechados, desde o começo do percurso.
Metade prefere brincar na beira da praia. No raso. Enquanto outra não vê problemas em pular dezenas de ondas e nadar onde a pequena bandeira vermelha, agitada pelo vento, avisa sobre o risco. Sobre o possível afogamento.
Porque, há muito, eu erro a receita do equilíbrio.
Uso a parte que não deveria na hora em que não poderia. Me confundo com as metades que brigam dentro de mim.
Porque parte acelera na estrada, no momento da curva fechada. Pé direito até o fim, enquanto outra freia, bruscamente, ao ver a primeira placa. Seta torta, avisando sobre o perigo.
Metade não suporta a burrice, a pequenez, a lerdeza. Outra, sempre calada, tolera a banalidade. Engole a ignorância. Convive com a mediocridade.
Há muito, eu erro a mão. A dose. Me confundo com o que devo usar.
Porque metade briga. Explode. Dedo apontado na cara, enquanto outra se recolhe, quieta, debaixo da cama. No quarto fechado. No tudo escuro.
Metade berra. Outra sussurra.

Tenho uma parte que acredita em finais felizes. Em beijo antes dos créditos, enquanto outra acha que só se ama errado.
Tenho uma metade que mente, trai, engana. Outra que só conhece a verdade.
Uma parte que precisa de calor, carinho, pés com pés. Outra que sobrevive sozinha.
Metade auto-suficiente.

Mas, há muito, eu erro a mão. A dose. Esqueço a receita do equilíbrio. Me perco.
Há dias em que uso a metade que não poderia. Dias em que me arrependo de ter usado a que não gostaria.
Porque elas brigam dentro de mim, as metades. Há algumas mais fortes. Outras ferozes. Há partes quase indomáveis.
Metades que me fazem sofrer nessa luta diária.
Não deixar que uma mate a outra.


Eduardo Baszczyn

Sobre o ano novo...

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano não apenas pintado de novo,
remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens? passa telegramas?)
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.


Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.




[Carlos Drummond de Andrade]

sábado, 1 de janeiro de 2011

Desejos para um novo ano...

Em 2011... Eu quero ter saúde, paz interior e sabedoria pra enfrentar o que a vida me reserva.
Quero ter equilibrio nas minhas emoções e atitudes.
Quero cultivar diariamente os laços de amor que me rodeam. Sim, são poucos, raros mas dão sentindo a minha vida.
Quero diminuir minhas expectativas e planos.

Quero ter momentos de felicidade, tranquilidade e superação.
É isso e nada mais...